" ei moça, devolva meu coração q eu deixei na sua bolsa!"
Ninguém podia tirar você da minha pele. Por mais que tentassem, e eu tentasse, era irreversível. Ninguém podia tirar você de mim. Seu jeito, seu cheiro, suas manias, eram partes integrantes da minha carne. Pensar em você era tão natural quanto as minhas necessidades diárias, minha mente se acostumou a te querer, pontualmente. Dizia sempre que você não era a minha metade... Me oferecer, assim, incompleta, seria muito pouco. Você merecia muito mais, você me acrescentava.
Eu acho que só percebi a tua ausência, quando Seu Cláudio, o porteiro simpático do prédio comentou: “Ele está sumido, viajou?”. O respondi apenas com um: “Às vezes, vidas seguem em direções opostas”. Com um sorriso de canto nos lábios, peguei minha correspondência e subi. Não que eu esperasse uma carta sua, arrependida me pedindo pra voltar. Você sabe que eu nunca perdoaria, você sempre foi melhor do que eu. Você fazia uso de todos os bons sentimentos humanos, sabia perdoar e era otimista o tempo todo. Eu não conseguia perdoar. Por mais que tentasse, não conseguia.
Eu só queria esquecer, que um dia eu conheci você, que um dia as minhas unhas vermelhas (que você adorava!) te arranharam o corpo, e que um dia eu fui o teu bem. Eu só queria esquecer do gosto da tua boca que insistia em beijar os lábios meus, das tuas mãos que passeavam na minha nuca. A minha mente, aquela mesmo que era acostumada a te querer, quer tanto não te querer mais... Mas nela, infelizmente, ainda ecoa o som da sua voz, como quando costumava me ligar apenas para dar boa noite.
Guardei nossas velhas lembranças felizes numa caixinha, tranquei com uma chave miúda que anda no meu chaveiro e escondi na primeira gaveta à esquerda do móvel da sala. Aquele que ainda guarda a marca da sua caneca de café. Quando alguma memória me vaga a mente, coloco a cabeça entre meus joelhos e sussurro, bem baixinho: ‘acabou, agora são só recordações, acabou’. Levanto a cabeça com um sorriso e não abro a gaveta. Minha vida agora, é muito mais importante que a sua, ou a nossa, que um dia existiu. Eu preciso de você, mas eu preciso muito mais de mim.
Laísa Mouco – 13/11/2008
segue um beijo pra ela com todo o carinho q deva haver nesse mundo.
amudemaistu(L)

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